Da série “aonde levo minha amiga gringa”, versão São Paulo

São Paulo é frenética, muda a toda hora e nem a gente consegue acompanhar. Como eu gostaria de ter esse guia prontinho antes, mesmo que na hora H precisasse fazer ajustes, resolvi logo começá-lo.

Fico imaginando como um europeu, por exemplo, se desloca por aqui sem entender a língua, nessa zona nossa de cada dia, acostumado às linhas de metrô do velho continente. Por outro lado, é aqui que se encontra de tudo, a toda hora, com uma cena cultural quente rolando e o melhor serviço e atendimento de todo esse Brasil. Tô mentindo?

Claramente, as sugestões abaixo ficarão concentradas em alguns bairros da cidade, mas a gente só pode falar do que conhece. Alternativas serão sempre bem-vindas. A separação foi feita pelas regiões, segundo a divisão da prefeitura de São Paulo. E apesar de o título remeter a não-brasileiros, por que não valer também para aquele amigo que vem de outro estado ficar uns dias em casa?

CENTRO SUL

Parque do Ibirapuera. Bom, precisa falar? Aqui vão algumas ideias do que fazer e por onde começar, mas pode ser que soe como chover no molhado. 😉 Sempre lembrando que, aos finais de semana, invariavelmente, o parque fica lotado. Dá pra chegar cedo e tomar o café da manhã/brunch (por volta de R$ 50 por pessoa, à vontade) na padaria que abriu na Bienal, a Pão – Padaria Artesanal Orgânica. Logo depois, ver o que está rolando na própria Bienal, Oca, MAM e Auditório. A ordem não importa, o que importa é ficar atento também às esculturas que ficam no jardim projetado por Burle Marx, entre os quatro espaços.

Além de andar despretensiosamente, ainda é possível visitar o Museu Afro, sempre surpreendente, e o Pavilhão Japonês (é melhor consultar a programação na internet, porque fica um pouco escondido). Soube que abriu por lá também um planetário. Alguém já foi pra dizer se vale a pena?

ibirapuera
Praia de paulista

Se ainda tiver fôlego, vale sair do Parque, atravessar até o outro lado da avenida para apreciar o MAC – Museu de Arte Contemporânea e terminar a visita no topo do prédio. Melhor se for bem na hora do pôr-do-sol.

CENTRO

Av. Paulista é como o Parque Ibirapuera no sentido de dar pra perder boas horas. Mais perto do Paraíso, você encontra a recém-aberta Japan House e a Casa das Rosas. Um pouquinho mais à frente, sentido centro, o Itaú Cultural, depois o MASP e por aí vai… No final, dá pra parar no Riviera Bar e tomar um drink ou atravessar até o Sal Gastronomia, pequeno e sempre cheio, com o melhor nhoque da vida. O bom é que, enquanto se espera pra sentar, o bar em cima, Admiral’s Place, está à sua disposição – lembrando que não abre durante o dia. O bairro da Liberdade pra passear de dia todo mundo conhece, mas nem por isso vale menos a visita. À noite tem os famosos karaokês, mas o meu preferido é o Samurai. É um programa bem específico, mas vai que…

Caso você adore um mercado, temos o Mercado Municipal ou Mercadão, famoso pelos produtos e frutas exóticas, pelo edifício e seu belo vitral e, claro, pelo sanduíche de mortadela, que acho impossível comer inteiro. De segunda a sábado, das 6h às 18h, e domingos e feriados, das 6h às 16h. Mas se fosse pra escolher ir em um único mercado, eu iria no de Pinheiros, conforme coloquei mais abaixo.

Centro histórico: tem que fazer? Sei lá. Mas uma amiga italiana que eu levei notou como a gente vai na contramão, porque os centros costumam ser os lugares mais ricos de uma cidade. Não é o nosso caso. Outra coisa é que dá pra fazer de uma vez o Pátio do Colégio, o Largo São Francisco, a Catedral da Sé, o Marco Zero e terminar o passeio no Bar da Dona Onça, no térreo do Copan, com caipirinhas mil (e qualquer coisa do cardápio) ou no Esther Rooftop – bar-restaurante do Olivier Anquier, localizado no primeiro prédio modernista de São Paulo.

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Esther

A Casa do Porco Bar é completamente imperdível. Não decepciona em absolutamente nada e ainda vem pra revitalizar o centrão. A entrada de torresmo com goiabada é uma coisa inexplicável, mas o chef Jefferson Rueda consegue reinventar até um simples misto quente sem nenhuma frescura gourmetizada, só com ingredientes de qualidade. O Porco a San Zé é boa pedida como prato principal. E, pra completar, acaba de lançar um hot-dog artesanal com salsicha da casa. Mas se joga em qualquer coisa, que não tem erro. O preço é justo e é sempre lotado. Vale chegar um pouco antes de abrir.

casadoporcobar
A Casa do Porco Bar. Decoração cheia de amor & porquinhos

OESTE

Feira da Praça Benedito Calixto existe desde o ano em que nasci, 1987. Cheio de antiguidades, comidinhas e lojas também nas ruas que a cercam, não tem nenhum sábado que passe pouca gente por lá. Mas lembre-se que é somente aos sábados, das 9h às 19h.

Quem for fã de marcas novas e independentes e de pequenos produtores tem muito pra ver em Pinheiros. Para comprinhas de objetos de decoração e acessórios, Galeria Nacional e Collector55 (Rua Mateus Grou, 540 e 503), dá pra continuar andando sentido Rua dos Pinheiros, tomar um drink ou apenas ver o empório dentro do restaurante Ovo & Uva (n° 286), passar no mercado Quitanda (n° 159), caso precise comprar alguma coisa, e acabar na Rua dos Pinheiros, com variedades mil: boteco Noname, comida baiana no Consulado da Bahia, o francês Le Jazz, o semi-novo Cozinha 212 ou, no final da rua, um hambúrguer ou sanduíche do sempre cheio Z Deli, sendo o de salmão uma coisa imperdível. A verdade é que em qualquer das ruas ao redor, R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, Joaquim Antunes (acessórios incríveis da Luiza Dias, perto da Cardeal; restaurante e Padaria do Maní, depois da Rebouças), R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto (House of Food), Francisco Leitão e Artur de Azevedo (loja e restaurante Cartel 011, PP Acessórios, Sofá Café), é possível encontrar restaurantes, cafés e lojinhas – bom programa para alguém que, assim como eu, gosta de andar e descobrir lugares.

Beco do Batman. Pode parecer batido, mas vale a visita. Isso porque sempre tem coisa rolando por lá e nos arredores. Sem tédio, na certa. Saindo de lá, que tal um brunch no Jardim dos Vinhos Vivos? Fica na Rua Harmonia, 239, e é de um casal formado por um francês e uma brasileira. Você se sente no quintal de casa, as opções de vinho são maravilhosas e é garantido não ver as horas passarem.

O Mercado Municipal de Pinheiros virou programa há algum tempo. Os dois andares abrigam 52 lojas e é no box 85 que você encontra a Comedoria Gonzales, cuja especialidade é o ceviche (e os bons preços). Lembre-se que o mercado não abre aos domingos. Nos outros dias, o horário de funcionamento é das 8h às 18h.

Para jantar à noite, o restaurante Jacarandá, em Pinheiros, é ótima pedida. Dá pra descer e ouvir jazz no subsolo. Música e comida de qualidade. Para um ambiente mais informal, o bar Pitico pode ser uma boa.

Barra Funda: Komah, um coreano maravilhoso, pequeno, num lugar improvável e com preço justo. Omelete e carne de porco te deixam pensando em voltar.

komah
Steak Tartare coreano do Komah

SUDESTE

O bairro da Mooca vem sendo revitalizado, lançando lugares moderninhos sem perder a tradição. Paradoxal, eu sei. Mas é o caso da Hospedaria, que serve comida inspirada em imigrantes italianos. Lembra a vovó. ❤

LUGARES EXTRAS

Uma coisa que a gente acaba se esquecendo, pois faz parte do nosso cotidiano, é que a nossa variedade de sucos e frutas é de outro mundo. Então, coisas simples como tomar água de coco, açaí e nossos intermináveis sucos e suas combinações, pode ser um programão.

Quer noodle? Tantan ou Jojo Ramen. Acarajé? Soteropolitano (peça a moqueca, pelo amor!!!) ou Tabuleiro do Acarajé. Ver lojas mil – algumas bem caras? Oscar Freire e R. Augusta. Fazer pose e ver a vista? Drink no Skye, no Unique. Jardim lindo, lindo, mas longe? Jardim Botânico, entrando já munida de coisas do piquenique. Lugar despretensioso e amigável? Restaurante Opyco, em Perdizes, com sopa de cenoura e polvo, ambos imperdíveis. Japonês? Se a grana deixar, o Kinoshita (mas dá pra apostar no menu executivo, no almoço); se procurar tradição, Peixaria, no Paraíso; e, caso esteja passando perto do Estádio do Morumbi, sabe-se lá porquê, o By Koji fica lá dentro e tem peixes fresquíssimos e preço salgadinho. Um drink? No apertado Boca de Ouro ou no Frank Bar, do clássico hotel Maksoud. Lugar movimentado de gente jovem (sdds, juventude)? Me Gusta Bar, nos Jardins. Música e ambiente clássicos? Sala São Paulo.

Importante: Transporte pode ser um problema para algumas dessas sugestões, então vamos pressupor que você esteja junto e guiando a amiga.

Por aqui já dá pra saber e relembrar algumas coisas. Mas tudo pode mudar. Afinal, a cidade está viva, assim como nós e nossas humildes opiniões. 😉

 

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